Eficiência Energética

Cortiça Projetada ou Capoto? A Comparação Honesta

Cortiça projetada e capoto não são alternativas equivalentes. Comparação de espessura, desempenho térmico, custo e apoios — e em que casos concretos cada um é a escolha certa.

Hozan 4 min de leitura
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Fachada de moradia portuguesa revestida a cortiça projetada, com textura granulada visível em luz rasante

Esta comparação costuma ser escrita por quem só aplica um dos dois sistemas — e o resultado é previsível: ganha sempre o que a empresa vende. Nós aplicamos os dois, portanto não temos nada a ganhar em empurrá-lo para o lado errado. O que se segue é o que dizemos aos clientes na visita à obra.

A diferença que explica tudo o resto

Um capoto tem 60 a 100 mm de isolante colado à fachada. Uma cortiça projetada tem 3 a 4 mm de revestimento.

É uma diferença de mais de vinte vezes, e é de onde vem tudo o resto. Não são duas versões da mesma coisa a preços diferentes: são coisas diferentes que às vezes resolvem o mesmo problema e muitas vezes não.

Dito com todas as letras: em resistência térmica, a cortiça projetada não compete com o capoto. Melhora o comportamento da parede, ajuda a quebrar pontes térmicas e reduz a absorção de calor no verão — mas fá-lo por ter baixa condutibilidade num revestimento fino, não por acumular resistência como 8 cm de isolante. Quem lhe disser que a cortiça substitui um capoto está a vender, não a informar.

Lado a lado

Capoto (ETICS)Cortiça projetada
Espessura60 – 100 mm3 – 4 mm
Isolamento térmicoElevado, mensurávelLigeiro a moderado
Isolamento acústicoModeradoBom
ImpermeabilizaçãoBoaMuito boa, hidrófuga por natureza
Comportamento a fissurasRígido, exige tratamento prévioElástico, acompanha o movimento
Altera a volumetriaSim, obriga a rever rematesPraticamente não
Resistência a pancadaFrágil (EPS)Boa, é elástica
Apoios do EstadoSim, elegívelGeralmente não
Preço por m²40 € – 80 €15 € – 43 €
Duração20 – 30 anosMuitos anos, sem repintura frequente

Quando escolher o capoto

Se o problema é a casa ser fria e a fatura do aquecimento. É a única das duas soluções que muda isso de forma significativa. Numa casa sem isolamento, a poupança pode chegar aos 30%.

Se quer candidatar-se aos apoios. O Fundo Ambiental e o Casa Eficiente comparticipam obras com ganho térmico mensurável — e um revestimento de 3 a 4 mm dificilmente atinge os limiares. Com apoios, um capoto de 10.000 € pode ficar em metade, o que muda a conta face a uma cortiça mais barata mas sem comparticipação.

Se há condensação nos cantos das paredes exteriores. Isso é ponte térmica, e resolve-se com espessura de isolante.

Se a fachada vai ser intervencionada de qualquer maneira. Se já é preciso montar andaimes e picar reboco, o custo marginal de fazer o trabalho completo é menor do que parece.

Quando escolher a cortiça projetada

Se a fachada fissura e volta a fissurar. Este é o caso mais claro. Reboco rígido sobre parede que mexe dá sempre no mesmo. A cortiça é elástica e acompanha o micromovimento em vez de partir. Se já reparou e pintou duas ou três vezes, a cortiça resolve o que a tinta não resolve.

Se não pode acrescentar espessura. Peitoris que ficariam enterrados, beirados curtos, alinhamento com o prédio ao lado, ou regras camarárias sobre avanço para o domínio público. Oito centímetros nem sempre cabem — três milímetros cabem sempre.

Se o problema principal é água. Paredes que absorvem chuva batida, manchas de humidade que aparecem só depois de temporais. A cortiça é hidrófuga e deixa a parede respirar.

Se há ruído de rua. A cortiça absorve som melhor do que o capoto, para a espessura que tem.

Se o orçamento não dá para capoto agora. A 15–43 €/m², resolve impermeabilização e estética por uma fração do custo. Não é o mesmo resultado térmico, mas é melhor do que pintar outra vez e é honesto dizê-lo assim.

Quando nenhum dos dois é a resposta

Humidade ascendente do terreno. Sobe pela parede por capilaridade. Nem capoto nem cortiça resolvem — e aplicar por cima esconde o problema e dificulta o diagnóstico. Trata-se com barreira química ou drenagem, primeiro.

Infiltração pela cobertura. A água entra em cima e aparece na parede. A fachada não tem culpa nenhuma.

Fissuração estrutural. Fendas que atravessam a parede, com desalinhamento, pedem avaliação de engenharia antes de qualquer revestimento. Uma cortiça elástica sobre um problema estrutural é maquilhagem cara.

Nestes casos dizemos que não, mesmo tendo a obra à frente. Sai mais barato a toda a gente.

Podem combinar-se?

Podem, e às vezes é a melhor solução: capoto na fachada norte, que é a fria, e cortiça nas restantes onde o problema é só água e estética. Ou capoto no corpo principal e cortiça numa empena que não pode ganhar espessura.

Não é comum, mas quando a casa pede, é o que faz sentido.

Como decidimos na visita

Perguntamos três coisas, por esta ordem:

  1. A casa é fria? Se sim, e se não houver impedimento de espessura, o capoto está à frente.
  2. A fachada fissura ou entra água? Se sim, e se a térmica não for a prioridade, a cortiça está à frente.
  3. Pode acrescentar espessura? Se não, a decisão está tomada, independentemente do resto.

Depois olhamos para o resto: orçamento, se vai candidatar-se a apoios, e se a fachada tem patologias que precisam de tratamento antes de qualquer sistema.

Trabalhamos em Mafra, Sintra, Torres Vedras, Loures e Lisboa, e fazemos os dois sistemas — o que quer dizer que a recomendação não depende do que temos para vender. Peça orçamento e vamos ver a fachada.

Veja também as páginas de capoto (ETICS) e de cortiça projetada, com o detalhe técnico de cada sistema.