Cortiça projetada: revestimento de fachadas

Elástica, hidrófuga e feita de um material que Portugal tem como ninguém. Resolve fissuras e infiltrações que o reboco não resolve — e não é o mesmo que capoto, por muito que lho digam.

O que é, sem exageros

São grânulos de cortiça natural misturados com resinas, projetados à pistola sobre a fachada em duas ou mais demãos. O resultado é uma camada contínua, sem juntas, com 3 a 4 mm de espessura final e textura característica.

É elástica, o que lhe permite acompanhar os micromovimentos da parede em vez de fissurar com eles. É hidrófuga, portanto repele a água sem impedir a parede de respirar. Absorve som. E é feita de um material renovável que se colhe sem abater a árvore.

Não substitui o capoto. E não devia ser vendida como se substituísse.

Vale a pena dizer isto numa página que vende cortiça projetada, porque quase ninguém diz: em resistência térmica, a cortiça projetada não compete com um capoto. Não é opinião nossa — são os números. Um capoto leva 60 a 100 mm de isolante; uma cortiça projetada tem 3 a 4 mm de revestimento. É uma diferença de mais de vinte vezes.

Dois provetes de parede lado a lado. À esquerda, uma parede de tijolo com sistema de capoto: placa de EPS branca, argamassa e reboco de acabamento. À direita, a mesma parede de tijolo com apenas uma película de cortiça projetada castanha e granulada.

Capoto (ETICS)

60 – 100 mm

Placa de isolante, mais argamassa e acabamento

Cortiça projetada

3 – 4 mm

Revestimento, em duas ou mais demãos

Não são alternativas equivalentes: o capoto é isolamento térmico, a cortiça projetada é um revestimento com propriedades térmicas. Resolvem problemas diferentes.

Os dois sistemas sobre a mesma parede de tijolo. A imagem é ilustrativa — as espessuras reais são as indicadas acima.

A cortiça melhora o comportamento térmico da parede e ajuda a quebrar pontes térmicas, mas fá-lo por baixa condutibilidade num revestimento fino, não por acumular resistência como um isolante de 8 cm. Se o teu problema é a casa ser fria e a fatura do aquecimento, o caminho é o capoto. Fazemos os dois, portanto não temos interesse nenhum em empurrar-te para o errado.

O que a cortiça resolve mesmo

Aqui é ela que ganha, e por margem larga:

  • Fissuração recorrente que volta depois de reparada
  • Infiltrações pela fachada e paredes que absorvem chuva
  • Ruído de rua, por absorção acústica
  • Fachadas onde não se pode acrescentar espessura
  • Superfícies irregulares e geometrias complicadas
  • Renovação estética sem obra pesada
  • Condensação superficial ligeira em paredes frias
  • Fachadas expostas a sol forte e variação térmica

O caso mais frequente é este: uma fachada que já foi reparada e pintada duas ou três vezes e continua a fissurar. O reboco é rígido e a parede mexe — a fissura volta sempre. A cortiça, sendo elástica, acompanha o movimento em vez de partir. É a diferença entre resolver e adiar.

Quanto custa

Entre 15 € e 43 € por m², conforme a preparação que a fachada exige, o número de demãos e os acessos. É uma gama larga porque o mercado ainda é pouco maduro — e porque há quem aplique uma demão fina e lhe chame cortiça projetada.

Aplicamos no mínimo duas demãos, para chegar aos 3 a 4 mm que dão à cortiça as propriedades pelas quais foi escolhida. Uma demão só fica mais barata e não faz o trabalho. Se comparares orçamentos, pergunta quantas demãos e que espessura final — é aí que a diferença está.

Comparado com um capoto a 40–80 €/m², é bastante mais barato. Mas comparar preços entre os dois só faz sentido se os dois resolverem o teu problema, e muitas vezes não resolvem.

Não sabe qual dos dois precisa?

Vamos ver a fachada e dizemos — mesmo que a resposta seja a solução mais barata.

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Perguntas frequentes

Não, e quem disser que sim está a vender. A cortiça projetada tem 3 a 4 mm; um capoto tem 60 a 100 mm de isolante. Em resistência térmica não há comparação possível. A cortiça é um revestimento com boas propriedades térmicas, não um sistema de isolamento — e resolve problemas diferentes.

Quando o problema é fissuração recorrente, infiltração pela fachada, ruído, ou quando não se pode acrescentar espessura — peitoris, beirados, alinhamento com o prédio ao lado ou regras camarárias. Nesses casos a cortiça faz o que o capoto não consegue.

Geralmente não. Os apoios exigem ganho térmico mensurável, e 3 a 4 mm dificilmente atingem os limiares. Se o objetivo for candidatar-se ao Fundo Ambiental ou ao Casa Eficiente, o capoto é o caminho. Dizemos isto antes de orçamentar, não depois.

Tapa e acompanha. É elástica, por isso acomoda os micromovimentos que fazem o reboco rígido voltar a fissurar. É a razão mais forte para a escolher numa fachada que já foi reparada duas ou três vezes sem resultado duradouro.

É hidrófuga por natureza e resiste bem à radiação solar. Numa fachada bem preparada, conta com muitos anos sem intervenção. A manutenção resume-se a lavagem periódica; não pede repintura com a frequência de um reboco pintado.